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Ser actual, ser moderno, defender o desenvolvimento, é muitas vezes sinónimo de esvaziamento da história ou da fuga à identidade cultural que cria e estrutura a realidade social de um povo. Um dos grandes perigos em que a sociedade portuguesa está a cair é exactamente no esvaziamento da sua identidade fundada em princípios e valores que nos habituámos a respeitar e a aceitar como perenes e inquestionáveis. A defesa de que o nosso desenvolvimento está dependente de caminhos que se afastam de tal identidade é uma tese que ganha cada vez mais espaço e leva-nos a um afastamento da nossa identidade fundada em séculos de história onde fomos exemplo para tantos outros povos e modelo da modernidade de então. Na recente visita de Sua Santidade, o Papa Bento XVI, a Portugal este foi um dos temas que o Santo Padre nos relembrou. Relembro uma das afirmações de Bento XVI, proclamada na homília da missa a que presidiu no Terreiro do Paço: “Nos tempos passados, a vossa saída em demanda de outros povos não impediu nem destruiu os vínculos com o que éreis e acreditáveis, mas pudestes transplantar experiências e particularidades abrindo-vos ao contributo dos outros para serdes vós próprios”. De facto, para acompanharmos a evolução social e ciêntifica, não precisamos de destruir as raízes que nos permitiram crecer e solidificar. Ser moderno confunde-se, hoje, com deixar pelo caminho certos valores que, por coincidência, certas comunidades religiosas defendem e procuram ainda incutir nas gerações mais novas, lutando assim, de forma desigual, com uma sociedade que se vai auto-destruindo, pensando ser uma virtude tal atitude. Escutar o Santo Padre não é apenas escutar um lider religioso, é, principalmente, escutar um homem sábio que lê a história retirando dela aquilo que nunca pode ser colocado de parte quando se deseja construir uma sociedade forte e equilibrada. É por isto que a visita de Sua Santidade foi uma graça para o nosso país e não apenas para os católicos de Portugal; é por isto, e por muito mais, que discussões estéreis sobre a forma como este homem de Deus foi recebido no nosso país não fazem qualquer sentido.
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